Aconteceu...
Não há culpa
Não há remorso
Nem mágoa
Nem ressentimento
Só há a saudade
Do que não vivemos
Não foi sua culpa
Nem minha
Foi o destino
Disfarçado em cola
No sofá ...
Inerte, atrás de uma porta sem chave
Em um cômodo sem janela
Sem ar...
Não foi minha culpa
Acreditar...
Alimentar um sonho...
E imaginar além da ilusão
Aconteceu...
Não pediu licença
Nem deu a mão
Arrastou sem permissão
Para um campo minado
Fadado ao fracasso
Não por falta de sentimento
Talvez por excessos
Do que se pensou não existir
Mas existiu e lhe confundiu
Excessos...
Não foi nossa culpa
Evitamos por tanto tempo
O tempo todo.
Ainda vejo
A casa que não tivemos
Em algum lugar
No ar...
Estamos em todos os cômodos
E as nossas fotos
Arrumadas na estante
Anunciando...
Que estamos em casa
Nada tira essa sensação
Estranha sensação de lar.
O corpo colado no sofá
A vontade preguiçosa cochila
No mesmo lugar
Mas a alma aprendeu a voar
Mas não tem forças
Para levantar
Não houve culpa
Fica bem
A vida vai além
Do que se sabe
Do que se escolhe
Ou do que se tem.
Siga em paz...
Eu seguirei também.
Ceiça Esch
Agosto26
29/08
BN
Ceiça Esch
Enviado por Ceiça Esch em 29/08/2026
Alterado em 29/08/2026
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